Jornada Internacional da Juventude: não só celebração, mas também compromisso

ESCRITO POR CRB COMUNICAÇÃO LIGADO . PUBLICADO EM DESTAQUE

Por Leonardo Boff | No pensamento social e filosófico a questão da  fé não está em alta. Antes pelo contrário, a maioria dos pensadores tributários dos mestres da suspeita e filhos da modernidade, colocam a fé sob suspeita, considerada como pensamento arcaico e mítico ou como cosmovisão do povo supersticioso e falto de conhecimento, na contramão do saber científico.
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REFLEXÃO DA LITURGIA 27º DOMINGO – TEMPO COMUM

Primeira leitura, Isaías 5, 1-7

A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel.

 

Salmo 78 (80) 

A vinha do Senhor é a casa de Israel.

Segunda leitura da Carta de São
Paulo aos Filipenses 4, 6-9

Praticai o que aprendestes e o Deus da paz estará convosco.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 21, 33-43

 

Arrendou a vinha a outros vinhateiros.

 

O gênero literário de “Parábolas” é recorrente no anúncio de Jesus e, no Evangelho deste domingo, mais uma vez ele usa o estilo de alegoria para trazer um ensinamento necessário à compreensão das exigências do “novo” que chega com sua pessoa. Se, em muitas ocasiões escutamos o Evangelho a partir da expressão “Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos…” no texto que hoje nos é proposto, assim como no domingo anterior, vemos Jesus dirigir-se aos ‘sacerdotes e anciãos do povo’ para narrar-lhes uma parábola e, assim, abrir-lhes os olhos e os ouvidos ao Reino que se faz presente.

Fechados em seus próprios critérios, os sacerdotes e fariseus posicionam-se como os legítimos destinatários da Aliança – Em Mt 23,2  referindo-se aos mesmos, Jesus afirma: ‘Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés…’ em outras palavras, eles se apropriam dos ensinamentos de outrora, já que Moisés é o maior representante da Antiga Aliança e, consequentemente da Lei, na qual estão fortemente arraigados. O Mestre faz memória de todas as possibilidades que Deus utilizou na fidelidade ao seu povo e no chamamento à resposta. Deus cerca seu povo de carinho e proteção (Sl124,2); planta a vinha, cuida, aduba, mantém regada e com terreno propício para o crescimento e a colheita generosa, farta e gratuita.

Fixemo-nos no verbo arrendar. O dono da vinha, depois de tê-la preparado, arrendou-a e viajou. Confiante nos arrendadores, o proprietário ‘viajou para o estrangeiro’, porém não esqueceu e nem se descuidou da propriedade. Daqui surge uma sequência de fatos nos versículos 34 e 35; várias tentativas, nenhum resultado satisfatório. Podemos imaginar a indignação, a impaciência do senhor da vinha e a “determinada determinação”, diria Santa Teresa de Ávila, de enviar o seu filho e como tal, herdeiro e legítimo proprietário. Pensava ele que seria acolhido e respeitado. Ledo engano. E o desfecho: o filho agarrado, espancado e morto.

Diante da pergunta sábia de Jesus, os escribas e fariseus parecem ter a resposta mais pertinente: ‘Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: ‘Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo. Evidencia uma atitude de impermeabilidade nesses ouvintes que não se sentem aludidos. É como se a pergunta de Jesus não fosse para eles. A defesa da violência parece aqui encontrar justificativa. Também nós, quantas vezes escutamos a Palavra, um ensinamento de uma aula ou um curso e pensamos: como seria bom que fulano/a estivesse aqui ouvindo. Escutamos uma homilia e pensamos que ela seria muito bem dirigida a outrem. Não para mim. Eles não se tocaram que Jesus falava de si mesmo e da rejeição que eles ofereciam para acolher a novidade que o Filho de Deus trazia. Recordemos a parábola de Lázaro e o rico (Lc 16,19-31) “eles têm Moisés e os profetas, mesmo que um morto ressuscite não acreditarão (v 31). Também no caminho de Emaús o Ressuscitado traçou o caminho das Escrituras desde Abraão, Moisés e os profetas. Quando o coração está envolvido pela cegueira não permite descobrir que o filho do vinhateiro é a Palavra e Resposta definitivas e, pela rejeição, tornou-se a pedra angular.

O tempo de pandemia que vivemos é forte apelo à interiorização da Palavra revelada em e por Jesus, o Filho do dono da Vinha. Ao mesmo tempo, iniciando o mês MISSIONÁRIO com o Tema: A vida é missão  e o  Lema: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8) nossa Igreja nos convoca a reassumir, “em saída” o compromisso batismal, retornar às fontes da vocação cristã que é, substancialmente missionária. O tema revisita a Exortação Apostólica  Alegria do Evangelho, nº 273 para recordar-nos que a missão não é um apêndice à vida cristã. Não seremos cristãos se não formos missionários, assumindo nosso lugar na vinha e acolhendo a mensagem do Filho que nos foi enviado como anúncio e salvação de um Deus próximo de seu povo.

Ir. Lucia Sá Barreto de Freitas

Comunidade Santíssimo Sacramento

Alagoinhas/Ba

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